segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Gostar não é amar.

Esperou o ano todo por aquela excursão, era uma forma que encontrava de se livrar da escola e de todas outras responsabilidades. Mal podia acreditar que aquele dia havia chegado.
Haviam acabado de chegar ao hotel, era tudo uma confusão, mas ela se divertia muito com suas amigas. Esquecia do dia, das horas, esquecia de tudo ali, esquecia ate o seu amor “constante”, realmente aquela viagem lhe fazia muito bem.
Depois de todas as apresentações era hora de irem para os quartos, como sempre era uma surpresa, onde ficariam? Com quem? Cruzavam os dedos para ficarem no mesmo quarto. A diretora começou a anunciar os nomes, depois de muito falar anunciou os dois últimos quartos.
- Marcela, Julia, Rafaela e Marcelo. Quarto 09. O restante do pessoal, no quarto 22.
Ela estava indignada, achava que deveria estar ali, no lugar do Marcelo. Pegou o elevador e foi para o quarto 22.

• Entrando no vinte e dois.
Quando abriu a porta, viu algumas malas no chão, mas ninguém estava ali, achará super estranho, ate que ouviu o barulho do chuveiro gotejando sobre alguém.
- Ér –disse meio sem graça- quem está ai?
Alguem saiu do banheiro, ela estava de costas, mas reconheceu aquele cheiro. Não podia acreditar que..
- Rafael! Sou eu Luisa. Seu companheiro de quarto.
Trêmula, com as pernas bambas o olhou.
- Oi Rafa. – as palavras não queriam sair, com algum esforço conseguiu falar quase sussurrando – quem mais ficará aqui?
- Ah Lu, a minha irmã ta nesse quarto, infelizmente. Aquela pirralhinha enjoada deveria ficar com o maternal.
- Percebe-se que você é um irmão super amoroso. – risos surgiram
- Poxa Lu, vim pra ca imaginando me livrar de certas responsabilidades, pelo visto de algumas não consegui.
Bem baixinho deixou escapar – É, eu também não.
- O que você disse? Não ouvi.
- Nada Rafael, vou arrumar minhas coisas.

• O lual.
A noite chegará, iriam para um lual. Batiam desesperadamente na porta.
- Já vai, espere um minuto, um minutinho apenas.
- Lu, você não vai pro lual?
- Vou sim Rafa, vou terminar de me arrumar e irei, dormi e esqueci da hora, ainda bem que a praia é logo aqui em frente. Logo estarei lá.
- Eu te espero Lu, termine de se arrumar.
Ela mal podia acreditar, por tanto tempo esperara um sinal se quer do seu amado, e agora estavam ali, dividindo o mesmo quarto naquela viagem, e ele, ah, ele a esperará para irem ao lual. Seu coração fazia balé diante de tanta felicidade...
- Estou pronta. Vamos?!
- Não vai se maquiar?
- Deveria? Estou tão feia assim? – falou abrindo um sorriso lindo, realmente possuía acima de tudo bom humor.
- Não Lu, você esta linda, é que todas as garotas fazem isso e ..
- Rafael – ela agora estava séria – não sou igual a todas as garotas.
- Desculpa Lu, não era minha intenção te magoar ou algo do tipo.
- Vamos Rafa, estamos perdendo o começo da festa.
Ela foi ao encontro de suas amigas que mal acreditaram quando a viram saindo do hotel com o Rafael.
- amiga, não acredito que vocês estão juntos.
- deixa de ser louca marcela, só estamos no mesmo quarto.
- vai dizer que não esta aproveitando?!
- por incrível que pareça não. Vamos andar pela praia, acho que temos bastante coisas pra ver ..
- de boba você não tem nada Luisa.

• O mar e a vida
O relógio marcava exatamente meia noite. Luisa estava sentada olhando o mar, e imaginando como a vida imita as ondas, altos e baixos, obstáculos contornados. Sentiu uma mão em seu ombro.
- Te vi aqui, sozinha. Posso me sentar ao seu lado?
- Claro que pode.
Ela não conhecia aquele rapaz, trocaram alguns olhares durante todo o lual, mas Luisa sentia que ele tinha algo bom para lhe proporcionar.
- Como é seu nome bonita?
- Me chamo Luisa.
- Lutadora!
- ahn?
- O significado do seu nome, lutadora.
- Nossa, não sabia! E o seu nome?
- Gabriel.
- Nome de anjo.
- Er, nome bíblico!
Ela desviou o olhar, olhou pra lua, pro mar, para aquela praia, e pensou naquele dia maravilhoso. Uma brisa lhe tocou por inteiro.
- Mas que frio que ta fazendo aqui.
Ele a envolveu em seus braços. – Melhor assim?
Ela sussurrou – Engraçado, parece que te conheço há muito tempo.
- Tem coisas que não conseguimos explicar Luisa, tem coisas que acontecem e nem sabemos como.
Ela o olhou, fitou seus olhos nos dele, os lábios se encontraram. O dia maravilhoso terminava magicamente. Sentia-se aquecida e protegida ali, seus olhos se distraíram e a levaram para a fogueira, Rafael estava bem ali, olhando para ela. Fechou os olhos, querendo esquecer aquele olhar que a desmontava.

• Sentimentos ocultos.
O céu começava a clarear, entrou no elevador e apertou o 22. Precisava dormir um pouco. Abriu a porta tentando fazer o mínimo de barulho possível, deparou se com olhos vivos e inquietos.
- Rafa, você esta acordado ainda? – Falou com a voz mais doce possível.
- Estava lhe esperando Luisa.
- Me esperando?
- Fiquei preocupado com você.
- Por que Rafa?
- É que ... ah Luisa, eu estava preocupado, é isso.
- Algum motivo tem que ter Rafael.
- Você e aquele cara, esse é o motivo.
- O que tem de errado com o Gabriel?
- O que você tem de errado Lu. Você sempre foi tão na sua, e de repente fica com um menino que conheceu a pouco em um lual.
- Então o problema todo é eu ter beijado ele?! Talvez seja porque ele tenha tido iniciativa, talvez porque ele não tenha negado sentimentos e ate mesmo porque ele não teve medo de se entregar. Parece pouco Rafael, mas são coisas que eu valorizo.
Ele se levantou, puxou-a pelo braço e disse olhando-a firmemente. – Eu quero você Luisa, eu quero estar com você. Quero tê-la em meus braços, quero seu sorriso pra mim.
- Me desculpe Rafa. Boa parte da minha vida sonhei em ouvir essas palavras da sua boca. Mas não posso acreditar, deve ser coisa momentânea, porque me viu com outro. Desculpe-me.
- O que eu preciso fazer Luisa, o que posso fazer pra você acreditar?
- Atitudes Rafael, falam mais que palavras.
Deitou-se e quis sumir daquele quarto. Eram emoções demais para um dia só.

• Olhares estranhos.
Acordou com seu celular tocando e um turbilhão de duvidas na cabeça.
Com uma voz tremula e cansada disse um alô desmotivado.
- Linda, te acordei né?
- é, parece que sim – soltaram gargalhadas- quem ta falando?
- O Gabriel lu.
- ah sim, tinha que ser você. Que disposição! Depois de passar a madrugada toda em claro praticamente, há essa hora já ta de pé.
- A noite foi boa, por isso que levantei com essa disposição. Então, não vem tomar café?
- hmn, vou demorar um pouco, daqui uns 20 minutos.
- Qual é o seu quarto?
- O 22.
- Daqui a 20 minutos te buscarei ai. Beijo linda.
- Ér, beijo querido.
(...)
Trocou de roupa e ajeitou o cabelo. Já estava pronta quando ele a chamou.
- Luisa.
- Fala baixo beib, tem gente dormindo.
Ele a abraçou e a beijou com um grande carinho. Levaram um susto.
- Lu, já vai descer? – foi quando Rafael a encontrou nos braços daquele alguém.
- Bom dia Rafa, vou sim, venha logo também, parece que a galera já esta acordada. Rafa esse é o Gabriel.
- Hmn, vai la então Luisa.
- Não demore Rafael.

• A confiança revelada.
Ainda no elevador Gabriel a surpreendeu.
- Lu, quero lhe entregar uma coisa.
- O que?
- feche os olhos quando o elevador parar e deixe-me te conduzir.
Ele a levou ate uma sala, devidamente arrumada e romântica.
- Pode abrir os olhos linda.
- Que, que lugar lindo.
- Luisa, quero que você fique com isto. – a entregou um cordão.
Ela pegou o cordão e no pingente observou algo. – O que é isso aqui?
- Lu, esse é um cordão que vem passando pela minha família há muito tempo.
- Não meu bem, não posso aceitar. Isso não deve ficar comigo e sim com você.
- Entenda bonita que este cordão representa algo especial pra mim assim como você. Há poucas horas você entrou em minha vida e me marcou imensamente.
- Confesso que você provocou coisas dentro de mim, que eu não podia esperar. Você me fez esquecer alguém que eu insistia em querer. Obrigada por tudo que tens feito, guardarei esse cordão como se fosse uma tradição da minha família. –lagrimas rolaram
- Não chores minha linda, não chores.
- É alegria seu bobo, é alegria.

• Um silenciar preocupante.
Conversaram e se conheceram mais. Ela revelou pra ele que há muito tempo gostava do Rafael, mas que ele não demonstrava interesse algum, e quando falava algo qual uma menina gostaria de ouvir era em tom de brincadeira. Falou também que ele havia se declarado pra ela naquela madrugada, e que ela não sabia o que fazer diante daquelas coisas.
- Luisa – ele disse usando o tom de voz mais calmo possível – Faça o que seu coração manda minha linda, mas não esqueça que a razão é sempre importante. Faça uma balança dentro de si, assim você vai se sentir melhor.
- ah Gabriel, to precisando mesmo fazer isso. Você ficaria chateado se eu lhe pedisse pra ficar sozinha hoje de tarde?
- claro que não lu, você precisa desse tempo e eu te respeito antes de tudo. Prometo que não lhe atormentarei pela tarde, mas nesse restinho de manhã que nos falta eu estou livre né?
- Será que deixo você me atormentar? É claro que sim! Bobo. Vamos tomar café, estou faminta.

• Esclarecendo amores ocultos.
A tarde chegará, Luisa estava em seu quarto pensando nas inúmeras vezes que ficou sem dormir lembrando de alguma coisa que Rafael havia feito. Lembrando das piadas sem graça, das festas, do seu sorriso brilhante e seu olhar avassalador. Porem jamais ele havia a tratado tão bem como o Gabriel fazia, e nem a levado tão a serio e a respeitado. Começou a orar, precisava da ajuda de Papai do céu para entender o que sua balança emocional queria que acontecesse. Resolveu ir para o quarto de suas amigas. Mas algo no caminho a interrompeu.
- Luisa, precisamos conversar.
- Por favor Rafael, agora não.
- Mas é importante lu - ele puxou o braço dela com firmeza, machucando-a - querendo ou não você vai me escutar.
- Para com isso Rafael, você nunca foi grosso comigo desse jeito, o que você tem agora?
- É tão simples pra você Luisa, ta pegando um cara por aqui, ta esnobando outro ali...
- Eu não to esnobando ninguém Rafael!
- Como não? E qual o nome que você dá pra isso que ta fazendo comigo?
- Respeito Rafael.
- Respeito?
- Será que você não entende? Gostei de você durante anos Rafa, anos e anos, e você nunca me dava um sinal, não falava nada. Agora apareceu alguém bacana na minha vida, que esta me mostrando que tudo é bem melhor quando estamos felizes com nos mesmos, um garoto que não exige muito de mim. Ai vem você me falando que me quer. Me quer pra que? Pra uma aventura? Pra um beijo, um passatempo. Não da Rafael, não dá. Você teve todo tempo do mundo pra fazer isso, e eu não estaria nem ai, eu me ligaria no fato de que por algum momento estive em seus braços. Agora eu quero mais do que isso Rafa, eu quero sentimento verdadeiro. E o que eu chamo de respeito é isso Rafael. Eu gostava muito de você, mas não era amor.
Conheço varias meninas que te acham lindo e que gostariam de ter algo com você, valorize-as, elas merecem Rafa. E você também merece alguém que esteja disposta a te apoiar em tudo beib. Nós seremos melhores como amigos, acredite.
- ah Luisa, eu gosto muito de você, muito mesmo. Eu fiquei com ciúmes quando te vi com aquele cara, confesso que sempre senti algo mais forte por você, só não sabia como demonstrar isso. E quando aprendi a demonstrar foi tarde demais.
Ela lhe deu um abraço de urso e o beijou na testa.
- Vamos para o quarto das meninas?
- Não lu, tenho que resolver umas coisas. Ate mais tarde ‘tchonga’.
- Me chama de ‘tchonga’ de novo que te dou um golpe de karate bobão, sabe bem que eu odeio esse apelido.
- Irritada, bobona e tchonga sim. –ele correu o mais rápido que pode, sabia que ela era boa no karate.
- Depois eu te quebro covarde. – saiu rindo e com o coração pulando de felicidade.

• Palavras desordenadas em um bilhete.
A noite chegou, a lua estava linda, pela janela ela olhava o mar junto aquele brilho lindo que a lua o dava. Não observou mais o seu celular havia descarregado. Antes de tomar banho para ir ver o filme com o pessoal resolveu ler um pouco do seu livro favorito. Adormeceu ali.
Rafael dormiu no quarto dos amigos naquela noite. Gabriel tentou ligar para ela varias vezes e não obteve resposta, escreveu um bilhete que jogou por baixo da porta do quarto dela.
Ela acordou as seis da manha, dolorida por ter adormecido em uma poltrona totalmente desconfortável. Arrumou-se e quando ia abrir a porta encontrou o bilhete.
- “Minha linda, o que aconteceu com você?
Por que não atendeu minhas ligações? Seja o que for me responda. Não me deixe preocupado. Um beijo, Gabriel.”
Ela correu para o quarto dele. Quando ia bater, um menino abriu a porta.
-Bom dia –e abriu o seu lindo sorriso- O Gabriel ta ai?
-Ta sim moça, ele ta dormindo, mas pode entrar e acordar ele.
-Obrigada.

• Uma leve brisa pela manhã.
Delicadamente o beijou, e sussurrou um bom dia bem alegre no seu ouvido. - Minha vez de te acordar rapaz.
- Linda, é você. Confesso que gostaria de ser acordado assim todas as manhas.
-O que ta esperando pra pular dessa cama e se arrumar. Nos temos um longo dia pela frente.
- Então quer dizer que você hoje é minha em tempo integral.
- Se você andar rápido eu penso no seu caso.
- Um tanto quanto exigente você menina. Mas não antes de me dar um beijo.
(...)
Saíram direto para o refeitório.
- Meu bem, ontem conversei com o Rafael, e nos estamos bem, a nossa amizade vai ser melhor que qualquer namoro ou algo do tipo.
- Que bom que tudo se resolveu, assim fica melhor pra todo mundo.
- Obrigada. Se não fosse por você talvez eu ainda estivesse com todo aquele peso no meu coração.
- Não precisa agradecer linda, eu quero te ver bem, é isso.
- Vou pegar um chocolate quente, o daqui é maravilhoso.
Passaram o dia todo juntos. Sentiam-se cada vez mais um do outro.

• O ate logo mais emocionante.
De noite foram para a praia ouvir o silenciar do vento.
- Luisa, preciso lhe falar algumas coisas - Ele a abraçou e começaram a dançar ao som do mar, falando em seu ouvido deixou as palavras fluírem docemente – As coisas foram realmente incríveis para mim ao seu lado. Esse teu jeito menina madura me encantou. O seu modo quieta, moleca, decidida e gente grande, você é diferente de todas que já conheci. Quero que saiba que você não é um caso de uma excursão, eu quero você alem disso menina, quero-te sempre assim nos meus braços, dançando e silenciando comigo. Minha turma vai embora amanha, sei que a sua ficara mais alguns dias. Cuidado com esses meninos, você já tem o seu, não precisa deles bonita. Prometo que o mais rápido possível irei te ver, eu dou o meu jeito. A partir daqui aprendo a te amar, basta você querer.
- Aprenderemos juntos então bonito.
Se beijaram, abraçaram, silenciaram e dançaram.

• Rosas vermelhas.
Ele não quis se despedir pessoalmente detestava essa parte. Mandou-lhe um presente.
- Luisa –Rafael a chamava.
- Oi Rafa.
- Chegou esse jardim aqui pra você.
- ahn? Flores –Falou com a voz mais feliz do mundo – quem mandou?
- cartões servem pra isso lu.
- bobão. – procurou o cartão em meio às rosas vermelhas, achou-o com lindas palavras escritas.
- “Minha linda, esse foi o melhor modo de te dizer ate logo, não gosto de despedidas, e nem precisamos, afinal nos veremos de novo. Mil beijos minha Luisa.”




Gostaram gente?
E vocês, ja viveram um amor de viajem que durou/não durou?
Beijos enormes.